A senadora Tereza Cristina (PP), maior liderança da direita em Mato Grosso do Sul, pode dificultar os planos de partidos concorrentes, e da mesma linha ideológica, na corrida para as prefeituras na eleição do próximo ano.
O temor é de que a senadora repita o ocorrido na eleição passada, escolhendo o caminho que mais lhe agrada, e dividindo votos. A atitude da senadora, pouco preocupada com o grupo, seria desastrosa principalmente para o Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem como meta eleger mil prefeitos no País.
Na última eleição Tereza desagradou a ala da direita mais extrema e mais bolsonarista, que apoiou Capitão Contar (PRTB). O apoio dela a Eduardo Riedel (PSDB) foi fundamental para a eleição, porque era uma das mais próximas a Bolsonaro. Sua popularidade ajudou a tornar Riedel mais conhecido e emplaca-lo na concorrida briga pelo Governo do Estado.
Tereza não abandonou apenas o grupo de Capitão Contar e companhia. O também candidato a governador na eleição passada, André Puccinelli (MDB), viu a então amiga, que foi secretária dele quando governador, embarcar no grupo político do PSDB, agora no poder em Mato Grosso do Sul.
A senadora tem atuado fortemente na preparação do PP para a próxima eleição e tem, inclusive, deixado o PSDB com os olhos bem abertos. Os tucanos têm 37 prefeituras em Mato Grosso do Sul e o PP, 21, mesmo sem o governo.
A ala mais militante do governo não está gostando muito da ideia de ter o PP com participação decisiva no governo e assediando, fortemente, prefeitos e lideranças tucanas no interior. A disputa começou quente, com anúncio de novas filiações no PP.
Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PSDB, respondeu rapidamente e convidou prefeitos de outros partidos, incluindo o PP, para o ninho tucano. Foi o suficiente para um acordo de esperar um pouco mais para as articulações rumo à próxima eleição.
O pleito para vereador e prefeito é o primeiro passo na caminhada para a eleição de deputados, senador e governador. É o momento de as lideranças definirem as bases nos municípios e pavimentar caminho. Para o PSDB, estará em jogo o controle do Estado, e reeleição mais tranquila de Riedel, já que hoje tem quase metade dos prefeitos, com 37 dos 79. Já Tereza quer consolidar sua força no Estado, garantindo uma saída estratégica caso Bolsonaro não consiga demonstrar a força que tinha na presidência da República.
Na Capital, por exemplo, o PL tem como pré-candidatos Marcos Pollon e Coronel David, que tentam consolidar candidatura com apoio de Bolsonaro. Capitão Contar, que chegou ao segundo turno na briga pelo governo, também está de olho na cadeira mais importante na Capital. O trio espera apadrinhamento de Bolsonaro, mas têm Tereza e seu candidato, a ser definido, na briga.

















